CULTURA
Histórias do tradicionalismo de Carazinho ganharam espaço no Galpão do Correspondente
Participação da coordenadora do CMTG, Grazi Chiodi (Foto Iana Moura/O Correspondente)
Durante a Semana Farroupilha, encerrada no domingo (20), O Correspondente criou um espaço especial para receber tradicionalistas, músicos e representantes de entidades de Carazinho. O Galpão do Correspondente foi pensado para ouvir histórias, conhecer trajetórias e valorizar quem mantém viva a cultura gaúcha no município.
O estúdio também recebeu uma decoração temática, preparada especialmente para lembrar o ambiente dos galpões e reforçar o clima farroupilha. Ao longo da programação, diferentes convidados passaram pelo espaço e compartilharam experiências ligadas ao tradicionalismo, à música, à poesia e às entidades locais.
Entre eles esteve Grazi Chiodi, coordenadora do Conselho Municipal de Tradições Gaúchas de Carazinho. Ela falou sobre a organização da Semana Farroupilha e destacou que o trabalho começa muito antes das atividades chegarem ao público. Grazi também relembrou sua própria trajetória no tradicionalismo, iniciada em 1995, quando entrou em uma entidade para participar de um curso de dança. Desde então, passou por diferentes funções, foi segunda prenda, primeira prenda e prenda Farroupilha do município por duas vezes. Ao resumir o significado do tradicionalismo em sua vida, destacou: “O CTG é a minha segunda casa. O tradicionalismo é a minha segunda casa”.
O CTG mais antigo de Carazinho e o terceiro do Estado
Outro convidado foi Paulo Scherer, patrão do CTG Pedro Vargas, entidade mais antiga de Carazinho e a terceira do Estado, e que completou 72 anos no sábado (19). Durante a participação, ele falou sobre a programação intensa da Semana Farroupilha e também sobre a importância de manter vivas as tradições durante todo o ano. “Nós somos gaúchos e todos os dias vivemos como gaúchos, mas é a semana em que se exaltam ainda mais as tradições”, destacou.
Paulo também falou sobre as melhorias que vêm sendo realizadas na estrutura do CTG, passando pela cozinha, copa, churrasqueira e salão. Outro patrimônio lembrado foi o programa Roda de Chimarrão, reconhecido como patrimônio cultural do município
Música e trova
Além de lideranças e talentos de invernadas, a música também ganhou espaço no Galpão do Correspondente com a participação de Guilherme Sjlender. Músico e compositor, ele contou sobre a ligação com a Seara da Canção, para a qual classificou este ano duas obras junto com parceiros de trabalho, e sobre o processo de criação das músicas.
Ele lembrou a primeira participação, como instrumentista. A experiência foi tão marcante que se apaixonou pelo festival e passou a se dedicar como compositor. Guilherme também destacou a satisfação de ver uma música ganhar alcance e chegar ao público. Uma das composições lembradas foi “Alma de Campo”, que teve boa repercussão nas plataformas digitais. Para ele, mais do que premiações, o mais importante é perceber que as pessoas se identificam com a música e passam a compartilhá-la.
Outro momento especial do Galpão do Correspondente foi a participação do gaiteiro e trovador Zé Gaiteiro. Ele contou que começou como gaiteiro e, com o tempo, também desenvolveu o trabalho com versos improvisados. Segundo Zé, não existe segredo para improvisar. A inspiração simplesmente acontece. Ele observa o ambiente, as pessoas e aquilo que acontece ao seu redor vai construindo as rimas. “É na hora, é no momento”, explicou.
Durante a participação, Zé criou versos especialmente para o Portal e para o Galpão do Correspondente, mostrando na prática uma das principais características do seu trabalho.
Mais que prenda de CTG
A trajetória de Larissa Oliveira também fez parte da programação. Ligada ao CTG Alfredo D’Amore, ela contou que começou ainda criança no tradicionalismo e que a experiência dentro da entidade teve influência direta na sua formação. Este ano ela entregou a faixa de Prenda Farroupilha, ostentada na gestão 2025/2026, fato do qual se orgulha muito.
Além de primeira prenda, Larissa também é posteira cultural da entidade e destacou que o CTG ensina valores como comprometimento, respeito e responsabilidade, principalmente para quem assume a missão de representar uma entidade como prenda.
Entre os momentos mais marcantes da trajetória, ela lembrou a oportunidade de representar Ana Terra, personagem de “O Tempo e o Vento”, durante o Festival Nacional de Cinema. Na ocasião, Larissa declamou diante do renomado diretor Jaime Monjardim. “Eu nunca imaginava declamar para o Jaime Monjardim, ser ouvida e aplaudida por ele”, contou.
Segundo Larissa, muitas das oportunidades que teve surgiram a partir do envolvimento com o tradicionalismo e da atuação como prenda. Atualmente, ela segue participando ativamente da organização cultural da entidade e também acompanha o trabalho com as novas gerações.
Comunicação e legado
Todos os anos, O Correspondente desenvolve projetos especiais ligados a Semana Farroupilha. Em 2026, o Galpão do Correspondente abriu espaço para diferentes gerações e trajetórias, reunindo histórias de quem vive o tradicionalismo dentro dos CTGs, na música na poesia e nas atividades culturais.
A proposta foi aproximar ainda mais O correspondente da comunidade tradicionalista e valorizar as pessoas que ajudam a manter vivas as tradições gaúchas em Carazinho.