POLÍTICA

Para quem vai o “latifúndio” de votos de Márcio Biolchi?

 

Faltando menos de dois meses para as eleições e com o fim dos períodos das convenções, está acionada a contagem regressiva para candidatos e partidos. Em Carazinho, particularmente, essa é uma eleição atípica: desde 2002, quando concorreu pela primeira vez à Assembleia, é a primeira eleição geral sem o nome de Márcio Biolchi nas urnas. E por que isso pode fazer tanta diferença? Simplesmente porque Márcio em todas as eleições que concorreu arrebatou um “latifúndio” de votos. Verdade que assim como a maioria dos políticos, ele sofreu desgaste. Em 2024, se elegeu com 119 mil votos, já em 2022, foram 99 mil votos, mas ainda assim quase 100 mil votos é muita coisa...

 

Transferência

Por isso, a pergunta que não quer calar é para onde vão esses votos nas eleições deste ano? O caminho natural era que fossem para Ronaldo Nogueira, outro representante de Carazinho em Brasília nos últimos anos e que concorre mais uma vez pelo Republicanos. Porém, a política não é matemática e transferência de votos pode ser mais complicada do que parece... Além disso, o histórico do desempenho eleitoral em Carazinho é um fantasma que assombra o candidato, em especial os 1.409 votos das últimas eleições. Portanto, mesmo que Ronaldo triplique a votação no município, ainda sobra muito voto do Márcio para ser disputado...

 

Apostas

A aposta do MDB é que grande parte destes votos seja dividido entre candidatos do partido. O diretório local decidiu investir esforços nos nomes de Alceu Moreira e Juvir Costella, dois nomes sem ligação direta com a região, já que Moreira é de Osório e Costella é de Guaporé. Ou seja, o caminho natural seria o partido apoiar um nome da região, como o deputado Vilmar Zanchin, mas como disse anteriormente, na política nada é natural...Inclusive, o vereador Tenente Costa é um dos coordenadores de campanha de Alceu Moreira na região...

 

Espólio

O mais certo é que o espólio de Márcio seja pulverizado entre vários nomes de candidatos “estrangeiros”, alguns da região, mas não necessariamente. Quem esteve aqui essa semana buscando apoio do seu partido foi Beto Albuquerque, que se reuniu com o presidente e vereadores do PSB. Porém, segundo Antônio Azir, o martelo não foi batido e o mais certo é que o partido libere seus vereadores para possíveis apoios...Vale lembrar que o PSB apoia a chapa PDT-PT para o Governo do Estado e Lula e Alckmin para a presidência...

 

Cinco nomes locais

Quem também entrou na disputa por uma cadeira na Assembleia, é o ex-vereador Adriano Strack que concorre pelo Podemos. Em 2022, quando concorreu à federal, Strack fez 5.878 votos, sendo o segundo mais votado depois de Márcio Biolchi. Sendo assim, passadas as convenções, Carazinho vai para as urnas com três candidatos locais à Assembleia: Adriano Strack (Podemos), Bruno Berté (PDT) e Valéska Walber (Republicanos) e dois candidatos locais à Câmara dos Deputados, Ronaldo Nogueira (Republicanos) e Juliani Pinzon (PSDB). Se os 46.000 votos dos carazinhenses forem divididos igualitariamente entre as cinco candidaturas e se somassem votos de outros municípios, poderíamos garantir um representante na Assembleia e quem sabe até em Brasília. A esperança é a última que morre...Para isso, porém, os partidos já teriam que estar trabalhando contra um adversário muito mais forte, que é abstenção, mas ao que parece, nenhum candidato está preocupado com isso...

 

A propósito I: nossa vizinha Passo Fundo vai para as urnas com nada menos do que 19 candidatos...

A propósito II: Em Passo Fundo, assim como em muitos outros municípios, entidades de classe estão liderando campanhas pelo voto local. Aqui, apesar de termos cinco candidatos – e da ameaça de perdermos representação na Câmara dos Deputados -, as entidades se mantém em silêncio...

 

Cabos Eleitorais

O início oficial da campanha eleitoral deve acalmar os ânimos na Câmara de Vereadores, não por falta de vontade, mas por falta de tempo dos nossos nobres edis, que a partir de agora começam a se dedicar com mais afinco ao papel de cabos eleitorais dos candidatos à deputado ou às suas próprias campanhas, como no caso de Juliani Pinzon e Bruno Berté. Mas é sempre bom o eleitor lembrar que ser apoiado pelo seu vereador preferido não torna o candidato automaticamente o melhor para Carazinho...Vale pesquisar – no caso de reeleição – o que já fez pelo município, como votou em questões que nos impactaram diretamente, como por exemplo, a privatização da Corsan, e principalmente, se não está envolvido em nenhum caso suspeito...Depois não adianta reclamar!

 

Aplicativo

Poder medir seus desempenhos eleitorais com exatidão região por região em diferentes eleições é o verdadeiro mapa da mina para os candidatos poderem planejar suas estratégias de campanha. Por isso, o aplicativo criado pelo empresário Felipe Gerling está fazendo tanto sucesso e promete estar instalado em nove de cada dez celulares de candidatos e assessores. Ler o cenário com exatidão pode fazer toda a diferença. Fui apresentada ao aplicativo, e ele consegue até responder, através da Inteligência Artificial porque um candidato fez menos ou mais votos em determinada eleição. É para marqueteiro nenhum botar defeito...

 

Preocupação

O projeto da LDO-2027 enviada à Câmara causa preocupação...Com a queda na arrecadação causada pela Reforma Tributária, a previsão não é nada otimista. Se levarmos em conta apenas o valor total, a projeção não chega a assustar, já que de R$473 milhões em 2026, o orçamento pode chegar a R$523 milhões em 2027, R$50 milhões a mais... O problema, no entanto, são as minúcias do projeto, em especial o sempre temido – e nunca enfrentado – crescimento vegetativo da folha de pagamento...

 

No limite

Hoje, o percentual de receita gasto com a folha está em 49%, muito perto do limite prudencial, mas se nada for feito, chegaremos em 2027 a 54%...Ultrapassar esse limite representa ter recursos federais travados para o município, além de outras penalidades legais. Isso explica o adiamento do concurso público prometido para este ano e que não deve sair porque simplesmente nomear mais servidores representa alimentar o crescimento vegetativo. Sem concurso, o executivo se vê obrigado a fazer contratações emergenciais. Desde o início da gestão, já foram mais de 150, que da mesma forma incide sobre o custo da folha, com a única vantagem de serem temporárias, mas até quando isso será empurrado com a barriga??

 

Cortes I

Como se correr o bicho pega e se ficar o bicho come, o governo já está projetando cortes para o próximo ano, como por exemplo, a proibição de horas extras. Poderia também cortar as diárias para fins de participação em congressos, por exemplo, além das diárias de secretários e diretores, mantendo apenas para serviços essenciais, como de motoristas de ambulâncias. Outra providência seria economizar nos aluguéis, que somam hoje, cerca de R$600 mil por mês, e por que não, reduzir os cargos de confiança, até porque deve estar sobrando tempo livre para muitos deles, já que segundo denúncia feita por um vereador, duas CCs da Saúde, simplesmente não foram trabalhar na última segunda-feira. Se podem espichar o final de semana, é porque não fazem falta...

 

Cortes II

Porém, ao invés de cortar na própria carne, ao que tudo indica, o governo irá cortar na carne dos servidores. A projeção de reajuste salarial para 2027 é de pouco mais de 3%, diante de uma inflação que pode chegar a 5%. Também estão com as promoções dos professores no fundo da gaveta e não se descarta ter que reduzir o número de consultas e exames em 2027 e congelar os recursos para o Capsem...Importante destacar que tais problemas não são resultado apenas de ações equivocadas deste governo, mas sim de sucessivas gestões que não tomaram as decisões difíceis que tinham que tomar, mas a verdade é que caíram no colo deste governo e quem está com a caneta é que vai ter que solucionar...

 

Em nome do interesse público

A aprovação de mais contratações emergenciais foram o que motivaram uma sessão extraordinária, onde os vereadores tiveram que votar a toque de caixa a renovação de contratos, sob pena de serviços importantes serem interrompidos. Mesmo com orientação jurídica desfavorável, os projetos foram aprovados em nome do interesse público. Aliás, para que mesmo servem os jurídicos da Câmara se não são respeitados? O argumento foi que o parecer desses profissionais é apenas consultivo, mas para que consultar, se a decisão da maioria já está tomada à favor do governo?

 

Munição

Não resta dúvida que a oposição na Câmara é bem articulada e raivosa, mas vamos combinar que com as falhas da atual gestão, fica fácil...Os projetos de renovação de contratos emergenciais poderiam ter sido enviados com pelo menos um mês de antecedência para a Câmara, porém foram enviados poucos dias antes de vencer e tiveram que ser aprovados com retroatividade. Além disso, o governo conseguiu errar o nome do presidente da Câmara nos projetos, enviando para o vereador Bruno Berté, que deixou o cargo em janeiro deste ano. Erro primário, mas que acabou dando muita munição para a oposição...