POLÍTICA
Saída de diretor fortalece narrativa de “crise” na saúde municipal
Foto Divulgação
A oposição eleger a saúde como a “bola da vez” é estratégia manjada na política. Como área sensível e de grande demanda, sempre haverá críticas e reclamações, o que facilita jogar para a torcida. É verdade que algumas críticas são feitas com fundamento, mas outras nem tanto...Nesta semana, a coluna recebeu a denúncia de que por falta de material, as unidades de saúde não estavam mais liberando material de curativos para pacientes impedidos de se deslocar até as unidades...
Burocracia
... A informação é verdadeira, porém, segundo a secretária Carmen Santos, nestes casos, os funcionários das unidades estão indo até as residências para fazer os curativos, evitando, assim, o desperdício de material. Ela ainda garantiu que todos estão sendo atendidos e se alguém ficou sem o atendimento, deve entrar em contato imediatamente com ela informando o local da unidade. Já quanto a falta de material, ela responsabilizou a burocracia estatal...Errada ela não está, a burocracia realmente atrasa fluxos e processos, mas é justamente por saber disso, que os gestores da área devem ter planejamento...
Escudo
...Aliás, vem chamando a atenção a postura dos vereadores da oposição, quando endereçam às críticas à secretaria da Saúde ou de Obras, por exemplo. Reclamam muito dos serviços, mas poupam os secretários, aliás, alguns até elogiam. Já estão dizendo que há um pacto tipo: “falem mal do governo, mas não falem mal de mim...” Parece perverso, mas quando uma mão lava a outra, não se duvida de nada...
Saída
A saída muito mal explicada do diretor Anthony Johann da secretaria da Saúde não ajuda em nada no sentido de neutralizar a narrativa da “crise na saúde municipal”. Fiel escudeiro do prefeito João Pedro Albuquerque, Anthony, a princípio era cotado para a secretaria de Inovação, que nunca foi criada. Foi “acomodado”, então, na saúde em um cargo burocrático bem distante de seu perfil profissional. Com a saída de Rudi Brombilla da secretaria de Governo, a expectativa era que assumisse a pasta, o que não aconteceu...
Caiu atirando...
...Há poucas semanas, com a saída de Gauchinho, mais uma vez se criou a expectativa que tinha chegado a vez dele sentar na cadeira na ante-sala do prefeito...Porém, mais uma vez ele foi preterido. Aliás, João Pedro preferiu fazer Zanetti acumular duas secretarias a nomear Johann. Portanto, não fica muito difícil imaginar os motivos que o levaram a sair do governo...E vale dizer que Anthony caiu atirando...
“Agentes externos”
Na sua explicação, nega que o motivo passe pelo cargo no gabinete, mas sim pela falta de alinhamento com a gestão. Com a frase: “nesse momento as prioridades que eu vejo para a cidade, não são as mesmas que o prefeito”, Anthony alega que o plano de governo não vem sendo respeitado e que a gestão vem sendo pautada pela oposição e influenciada por “agentes externos”. Também demonstra insatisfação pelo “pouco caso” da gestão com o aplicativo “Fiquei sem água” criado por ele e critica a postura pouco combativa do prefeito em relação à Corsan. “Impossível que um gestor não consiga decidir nada sozinho, sem antes ter que pedir a benção de 15, 20 pessoas”, afirmou à coluna...
Preocupante...
Apesar de afirmar que não está fechando as portas para a gestão, diz que “infelizmente dia 1º de outubro de 2028, pode ser que o prefeito não consiga continuar o mandato, mas não foi por falta de aviso”...Será mesmo que ele acha que não está fechando as portas?? ...Porém, o mais grave revelado pelo agora ex-diretor envolve a licitação da UPA. Como diretor de Contratos da secretaria, ele alega que nunca teve acesso a nenhum contrato do edital e nunca foi chamado para nenhuma reunião. “Esse edital já deveria estar na rua, ninguém entende porque não foi feito eletronicamente como a legislação exige. Ao invés disso, fizeram uma dinâmica de canetinha...” De tudo o que foi dito nessa saída intempestiva, isso, sem dúvida, é o mais preocupante e merece ser esclarecido...
“Nesse momento”
De todas as saídas “voluntárias” do governo, sem dúvida, a de Anthony é a de maior impacto em função da proximidade que sempre teve com o prefeito...E já surgem boatos que mais um secretário pode deixar o governo em breve: João Hartmann, da Fazenda. Em contato desta coluna com o secretário, ele afirmou literalmente que: “neste momento não pretendo deixar o governo”. Quando insisti em o que exatamente significa “nesse momento”, Hartmann disse que “nunca se sabe”, mas que enquanto for possível conciliar as responsabilidades do cargo com os negócios pessoais, ele pretende continuar se dedicando à gestão...
Terrorismo
Verdade que política se trata de construção e disseminação de narrativas, mas a oposição é no mínimo irresponsável ao espalhar o boato que o governo pode atrasar o salário dos servidores. Se não existem dados factíveis de que isso possa realmente acontecer, é inconsequente espalhar o terror e a insegurança entre funcionários e familiares. Aliás, se o governo fosse mais transparente quanto a saúde financeira da administração, isso não aconteceria...
Bloco na rua
Faltando seis meses para as eleições, os candidatos de Carazinho ainda não botaram o bloco na rua, pelo menos não oficialmente, mas confirmadas as especulações atuais, Carazinho vai mesmo para a disputa com um candidato à federal: Ronaldo Nogueira, pelo Republicanos, e três candidatos à Assembleia: Valeska Walber, pelo Republicanos, Anselmo Britzke, pelo PSD e Bruno Berté, pelo PDT. No próximo dia 27, aliás, Ronaldo faz uma prestação de contas sobre o seu trabalho em Brasília, já que ele não é mais deputado, uma vez que teve que devolver a cadeira para o deputado Carlos Gomes, de quem era suplente. Para quem acha que três candidatos à deputado estadual é muito para Carazinho, saiba que Passo Fundo deve ter ao todo 14 candidatos, quatro só à federal...
Ser ou não ser
Apesar que Anselmo Gauchinho Britzke pode recuar da sua candidatura pelo PSD. Ele alega compromisso com negócios, mas é no mínimo estranho, já que até uma semana atrás, estava com os dois pés na nominata do PSD para Assembleia, inclusive mudou de partido e deixou a secretaria de Governo. Será que algo aconteceu nos bastidores que o fez repensar? Ou seria pressão interna? ...De qualquer forma, ele tem até o início de julho para resolver o dilema entre “ser ou não ser”...
Divergências
Oficialmente a campanha eleitoral só se inicia em julho, mas o certo é que antes disso já se inicie a peregrinação em Carazinho, não só dos candidatos ao legislativo, em busca da lacuna deixada por Márcio Biolchi, mas também ao Governo do Estado, o que, aliás, deve escancarar as divergências e contradições locais. Uma delas é o PP de Daniel Weber e o Republicanos de Valeska Walber dividindo o mesmo palanque de apoio ao candidato Luciano Zucco.
A propósito: as desavenças em nível local vêm colocando alguns candidatos em “saias justas”. Luciano Zucco, do PL, por exemplo, chegou a desmarcar um evento em Carazinho no último final de semana durante o seu roteiro pela região para evitar constrangimentos...
Compromisso
Porém, não é apenas entre os partidos adversários que as saias justas devem acontecer com o início da campanha. No governo municipal, são dois (ou três) candidatos ligados diretamente: Valéska Walber e Bruno Berté e ainda Mateus Wesp, amigo próximo do prefeito João Pedro. Aliás, diplomaticamente, o prefeito pode até não se posicionar oficialmente, mas há quem diga que o seu compromisso é com o candidato passo-fundense, o que pode implicar colocar os demais na geladeira ou pelo menos sem vitrine...
Liderança
Além dos quatro candidatos ao legislativo, não se descarta a possibilidade de Carazinho ter uma candidata na chapa majoritária para o Governo do Estado. Após a desistência de Betty Cirne Lima de concorrer à vice ao lado de Marcelo Maranata, do PSDB, um dos nomes cogitados foi da vereadora Juliani Pinzon. O nome dela foi citado em colunas políticas da região metropolitana do Estado, como uma “liderança feminina que atende ao desejo de setores do partido que buscam uma mulher na chapa majoritária para ampliar o diálogo com o eleitorado feminino”. Inclusive, o nome de Juliani já teria o aval de Aécio Neves, presidente nacional do partido.
Peso político
A sigla corre contra o tempo para encontrar um ou uma vice para a chapa...Mesmo que o nome de Juliani não seja confirmado, só o fato de uma vereadora de primeiro mandato - e que alguns fazem questão de lembrar que não se elegeu efetivamente e que é “apenas” uma suplente - já significa uma grande demonstração do peso político que Juliani vem conquistando junto às lideranças tucanas em nível nacional.
Brizolismo
Como terra de Leonel Brizola, Carazinho durante muito tempo foi conhecida como uma das cidades do RS onde o trabalhismo era mais forte...Porém, o próprio desmantelamento do PDT em nível estadual e também municipal acabou por desestimular até mesmo os brizolistas mais aguerridos... Tanto que nas últimas eleições, o candidato ao governo pelo partido, Vieira da Cunha, fez pouco mais que 500 votos em Carazinho. Já Juliana Brizola ficou em sétimo lugar entre os candidatos à Câmara dos Deputados mais votados, com 644 votos...A dúvida agora é se a candidata que leva Brizola no sobrenome será capaz de fazer o sangue trabalhista ferver novamente. O vereador Bruno Berté parece que está apostando nesse “revival brizolista”, tanto que já aderiu até ao lenço no pescoço nas suas redes sociais...
A propósito: foi no mínimo desrespeitosa a fala do vereador Tenente Costa na Câmara, ao chamar o ex-governador Leonel Brizola de “maior quadrilheiro do Rio de Janeiro”. O vereador pode até não concordar com as ideias defendidas por Brizola, mas não respeitar a sua história e o que ele representou para o país já é demais...Inclusive o diretório estadual do partido já tomou conhecimento da ofensa e deve tomar providências legais.
NOTA DE ESCLARECIMENTO
À pedidos da advogada de Cássia Sebben, segue o esclarecimento sobre tópico publicado na última coluna: “A Cassia Sebben ou ex-assessora direta de Bruno Berté, conforme consta na coluna, nunca foi ré confessa porque ela nem sequer chegou a ser ré em processo criminal. Além disso, não foi feito nenhum acordo. Foi proposto à ela um benefício chamado Transação Penal (...)Para fins de esclarecimentos jurídicos: transação penal é um benefício concedido antes mesmo do oferecimento da denúncia e não significa que a pessoa confessou qualquer crime, aliás, nem mesmo existe um processo para o oferecimento desse benefício.”
Data: 24/04/2026 - 18:00
Colunista: Nadja HartmannFonte: Nadja Hartmann