GERAL

Recicladoras de Carazinho vivem do que os outros deixam para trás e sonham com a casa própria

Fotos O Correspondente

 

Vanuza Dutra de Souza, 28 anos, e a cunhada Scheila de Oliveira dos Santos, 27, percorrem diariamente as ruas de Carazinho puxando um carrinho de reciclagem desempenhando a atividade que permite ajudar no sustento de suas casas.

 

Durante as festividades do aniversário de Carazinho não foi diferente. Saíram de onde moram, no bairro Vila Nova, e andaram até o centro da cidade, à noite, pois concentração de pessoas como nos eventos do fim de semana significam grande consumo e, consequentemente, latas ou plástico para reciclar. Ou seja, renda para a família.


Elas contaram para a reportagem de O Correspondente sobre a rotina de trabalhar nas ruas, dia e noite, numa atividade que é essencial para o meio ambiente. Carazinhense, Vanuza conheceu essa função cedo. Filha de recicladores, já aos 5 anos estava com os pais e irmãos coletando material nas ruas. “É um trabalho honesto, digno, a gente se acostumou. A gente gosta desse trabalho”, disse ela, afirmando que não quer mudar de trabalho. “Dá pra viver, e a gente ganha muita coisa das pessoas, roupa, calçado, comida, um dia até (ganhamos) roupinha pros cachorrinhos. Nem eles ficam de fora!”, colocou, apontando para os quatro cães que as acompanham cidade afora e descansavam na calçada da esquina da prefeitura: Ursa, Tip, Bethoven e Pretinha.


Scheila é natural de Passo Fundo, também filha de recicladores, tendo trabalhado com eles desde pequena. Parou aos 15, mudou para Carazinho e trabalhou no Jóquei Club. “Eu teho um irmãozinho especial. Tive que largar meu serviço fixo, pra poder ajudar minha mãe em Passo Fundo, aí quando voltei eu comecei a reciclar novamente”. É casada, tem 4 filhos e o companheiro trabalha no caminhão de coleta de lixo.


Uma das suas filhas, Tifany, de 6 anos, estava junto na noite da reportagem. Alegre e comunicativa, a menina que está em férias disse que gosta de estudar e abraçar as pessoas “com muito amor e carinho”.


Sonho para realizar
Para trabalhar, Vanuza e Scheila têm dois carrinhos de coleta. Um foi comprado entre familiares, de uma recicladora que se aposentou. O outro foi uma doação. “O Rogério, do posto perto da Baika conhecia nós, a minha mãe e meu pai, fez uma vaquinha, uma surpresa. Nos chamou lá dizendo que tinha uma carga de papelão pra nós. Quando a gente chegou, disse pra nós sentar, de costas, que ia mandar buscar a carga. Depois, mandou virar, que tinha chegado a carga, e quando viramos era o carrinho, novo, coisa mais linda, com roda de moto, bonito! Ele é muito gente boa”, recordou.


Porém, o carrinho está parado no momento. A roda estragou e está esperando o conserto.


As famílias das recicladoras moram no mesmo endereço da rua Padre Gusmão, no bairro Vila Nova. A família de Vanuza inclui, além dos pais, um sobrinho de 10 anos que ela cuida desde que a criança tinha 3. Vanuza e Scheila não escondem que são felizes com o trabalho que tem, mesmo com o cansaço severo e riscos de estar na rua.


E ainda partilham um sonho: Scheila quer ter o próprio terreno para construir uma casa. Ela quer que seja no mesmo bairro, o Vila Nova, pois é mais afastado,pois é mais fácil ter onde guardar o material a ser reciclado. Sem condições para comprar, quer tentar através da prefeitura de Carazinho. “Meu sonho é falar com o prefeito João Pedro e fazer esse pedido...quem sabe nesse ano acontece!”.

Data: 29/01/2026 - 12:13

Fonte: Mara Steffens

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