SAÚDE
Aos 54 anos, Ana Cristina conta como enfrentou o câncer de mama e aprendeu a valorizar cada dia
Foto Divulgação/Arquivo Pessoal
Aos 54 anos, Ana Cristina tem uma história marcada por desafios, aprendizados e momentos de superação. Casada, mãe de Graziela e Gabriel e avó de Gustavo e Alice, ela enfrentou o diagnostico de câncer de mama, passou por sessões de quimioterapia e uma cirurgia. Hoje, compartilha sua experiencia e conta como o tratamento mudou sua maneira de enxergar a vida.
Sua história começou a cerca de dez anos, quando descobriu um nódulo na mama esquerda. Na época, recebeu orientação médica para realizar mamografia e ultrassom a cada seus meses, durante dois anos. Como o nódulo não apresentou alterações, passou a fazer apenas mamografia anualmente.
O problema, segundo ela, é que o nódulo aparecia somente no ultrassom. Com o passar dos anos, os exames de mamografia não mostravam alterações.
Foi quando procurou novamente um ginecologista, por estar entrando na menopausa, que realizou novos exames, incluindo um ultrassom das mamas. Dessa vez, foi identificado um tumor.
A médica Liliane solicitou uma biopsia. Foram cerca de dez dias de espera, acompanhados de ansiedade e medo. Depois, foi necessário realizar outro exame, chamado imuno-histoquímica, que confirmou o diagnóstico de câncer de mama.
“Minha primeira reação foi um choque de realidade. Senti uma vontade enorme de chorar, mas segurei as lágrimas e pensei comigo mesma: Eu sou forte! Tantas mulheres já passaram por isso e hoje estão bem. Eu também vou ficar bem, se Deus quiser”, relembra.
Após o diagnostico, Ana Cristina iniciou o acompanhamento com o oncologista Douglas, no hospital de Carazinho. Também passou por uma avaliação com o médico Ivan, responsável pela parte cirúrgica. Depois das consultas, ficou definido que primeiro seriam realizadas as sessões de quimioterapia e, posteriormente, a cirurgia.
Ao todo, foram indicadas oito sessões de quimioterapia, com intervalos de 21 dias, sendo quatro conhecidas como brancas e quatro como vermelhas.
A primeira sessão aconteceu no dia 3 de julho de 2025. Naquele momento, Ana Cristina contou com a companhia de uma amiga, que segurou sua mão e lhe deu forças. “Você é forte, é corajosa e vai ficar tudo bem”, foram as palavras que ouviu antes de enfrentar aquela nova etapa.
Os efeitos do tratamento começaram poucos dias depois. Primeiro vieram o cansaço e a perda de paladar. Em seguida, os cabelos começaram a cair, até que ela decidiu raspar a cabeça.
Uma das lembranças mais marcantes desse período envolve sua netinha Alice. Ana Cristina conta que não havia explicado a menina que ficaria sem cabelos. Quando a neta voltou da creche e encontrou a avó usando um chapéu, resolveu tirá-lo e levou um susto ao perceber que ela estava careca.
Alice começou a chorar e, por alguns dias, evitou se aproximar da avó. A situação deixou Ana Cristina bastante triste, mas, aos poucos, a menina foi se acostumando com a mudança e voltou a ficar perto dela.
Depois das sessões de quimioterapia, chegou o momento da cirurgia, realizada em 13 de janeiro de 2026. “Graças a Deus, tudo correu bem! O doutor conseguiu retirar todo o tumor, sem deixar nada para trás. Como ele mesmo disse, foi um sucesso! E, para minha alegria, nem precisei fazer radioterapia”, conta.
Apesar do resultado positivo da cirurgia, Ana Cristina relata que a recuperação foi difícil nas primeiras semanas. Mesmo assim, seguiu enfrentando cada etapa com o apoio das pessoas que estavam ao seu lado.
Durante todo esse processo, a família teve um papel fundamental. Segundo ela, o carinho e a presença dos familiares ajudaram a enfrentar os momentos mais difíceis, principalmente nos dias em que o medo e o cansaço apareciam.
“A minha maior força para enfrentar os dias difíceis foram meus filhos e meus netos. Mesmo com meus filhos já crescidos, sei que eles ainda precisam de mim. E meus netos são uma das maiores razões para eu continuar lutando, sorrindo e querendo viver muitos anos ao lado deles”, destaca.
Ana Cristina também faz questão de lembrar da importância da Liga Feminina de Combate ao Câncer de Carazinho, que esteve presente e ofereceu apoio durante o processo de tratamento.
Para ela, o acolhimento recebido pela entidade foi muito importante, assim como a presença das amigas e dos profissionais de saúde que acompanharam sua caminhada.
Depois de enfrentar o diagnóstico, as sessões de quimioterapia e a cirurgia, Ana Cristina conta que passou a olhar para a vida de uma maneira diferente. “Hoje, dou muito mais valor ao presente, às pequenas coisas e, principalmente, ao dia de hoje. Aprendi que não devemos deixar para amanhã o carinho, o abraço, o amor e os momentos felizes que podemos viver agora”, afirma.
Ao compartilhar sua experiência, ela também deixa uma mensagem de incentivo para outras mulheres que estão enfrentando o câncer de mama. “A mensagem que deixo para quem recebeu o diagnóstico de câncer é: não perca a esperança! Eu sei que receber essa notícia é um choque e que o medo aparece, porque também passei por isso. Mas não podemos deixar que o medo seja maior do que a nossa vontade de viver”, ressalta.
Ana Cristina reforça ainda a importância de procurar ajuda, manter o acompanhamento médico e não deixar de realizar os exames de saúde. “Não tenha vergonha de chorar, de sentir medo ou de pedir ajuda. Ser forte também é reconhecer que precisamos de outras pessoas”, aconselha.
Hoje, ela agradece a oportunidade de continuar ao lado da família e aproveita os momentos que antes, muitas vezes, passavam despercebidos. “Essa foi a minha história, a minha luta e a minha vitória. Não foi fácil, mas, com fé em Deus, o amor da minha família e muita coragem, consegui atravessar essa fase tão difícil da minha vida”, cita.
Para Ana Cristina, a experiencia deixou aprendizados que pretende levar para sempre. “Eu sou a Ana Cristina, uma mulher que enfrentou o câncer de mama e aprendeu a valorizar ainda mais o presente, a família e a vida. E a minha história continua!”, finaliza.