SAÚDE
Muito além do tratamento, câncer de mama impõe desafios à autoestima e ao acesso a procedimentos pelo SUS
Foto Divulgação
Além dos desafios enfrentados durante o tratamento do câncer de mama, muitas mulheres precisam lidar com a queda de cabelo, a retirada das mamas e as dificuldades para conseguir determinados procedimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O assunto foi abordado durante o programa Espaço da Liga, de O Correspondente, que recebeu o oncologista Dr. Luciano Alt para falar sobre os tratamentos disponíveis em Carazinho e as dificuldades enfrentadas pelas pacientes.
Segundo o médico, aproximadamente 70% dos casos de câncer de mama apresentam crescimento estimulado pelo estrogênio, um hormônio feminino. Nessas situações, uma das opções de tratamento é a hormonoterapia, que utiliza medicamentos para bloquear a ação desse hormônio. Em outros casos, pode ser necessário realizar quimioterapia antes da cirurgia para diminuir o tamanho do tumor e reduzir o risco de a doença se espalhar.
Durante a entrevista, Luciano também destacou as dificuldades de acesso a determinados medicamentos, principalmente em casos mais agressivos da doença, como o câncer de mama triplo negativo, que pode atingir mulheres mais jovens. Segundo ele, a equipe busca alternativas para essas pacientes, incluindo encaminhamentos para tratamentos por meio de programas de pesquisa.
Outro ponto abordado foi a autoestima das mulheres durante o tratamento. O médico explicou que a retirada de uma ou ambas as mamas e a queda de cabelo podem afetar emocionalmente as pacientes. Ele também chamou a atenção para as dificuldades de acesso à reconstrução mamária pelo SUS no Rio Grande do Sul, apesar de ser um direito garantido por lei.
Luciano destacou ainda a importância da touca térmica doada pela Liga Feminina de Combate ao Câncer de Carazinho, que está disponível para pacientes atendidas pelo SUS, conforme indicação médica. O equipamento ajuda a reduzir a queda de cabelo durante a quimioterapia, embora não garanta que os fios sejam totalmente preservados.
A entrevista mostrou que, além dos cuidados médicos para combater o câncer, o apoio emocional e a atenção à autoestima também são importantes para as mulheres que enfrentam a doença.