GERAL
Legado de Aylton Magalhães é relembrado por quem conviveu com o radialista e político em Carazinho
Equipe da Rádio Carazinho coordenada por Aylton Magalhães no início da década de 1980 (Foto Divulgação/Arquivo/João Marcelo Savoff)
A grande maioria dos carazinhenses conheceu a história de amor que Aylton Magalhães tinha pela comunicação, sobretudo pelo rádio. Na Rádio Carazinho, enquanto comunicador e diretor da emissora, o ex-prefeito oportunizou que muitas pessoas tivessem oportunidade profissional. Um dos exemplos é de João Marcelo Savoff, que trabalhou por 46 anos no rádio, quase metade na Rádio Carazinho dirigida por Aylton.
Hoje representante comercial de O Correspondente, Savoff tem várias lembranças da época em que com apenas 19 anos, iniciou no rádio. "Tenho boas lembranças com o Aylton. Ele me colocou no Rádio e fui operador dele no início, no programa que ele comandava todas as manhãs que se chamava 'Dialogando com a Cidade'. Aprendi muito com ele e com todas as pessoas que passaram pela emissora, todos grandes e emblemáticos comunicadores", recorda.
Savoff guarda fotografias daquela época de ouro, como esta que ilustra a matéria. Nela Aylton aparece ao centro de camisa branca, ao lado da esposa, Cleonice, e rodeado da equipe da emissora. Entre eles aparecem Luiz Araújo, Sérgio Silva, Celestino Reis, Daniel Manhães, Oly da Cunha Savoff (o Cedinho, e pai de João), Sérgio Almeida da Luz, Rose Martins, Claudino Camatti, João da Veiga Antunes, Terezinha Alves de Camargo, Carlos Dantas, Carlos Borges, Mario Lima, Setembrino Franco, Taquarinha, Helivelton Cunha, João Ataídes Haeffner, entre outros.
No início dos anos 1980, a Rádio Carazinho mantinha um programa aos finais de tarde, chamado "Raízes do Sul", voltado ao nativismo, apresentado por Luiz Araújo, e a partir deste programa, surgiu a Seara da Canção. João Savoff recorda de várias outras iniciativas culturais encabeçadas por Aylton e sua equipe: Sul em Festa, com a participação de Leandro e Leonardo, e o baile da Seara. As primeiras edições do festival também contavam com acampamentos e ele recorda que muitos músicos que participaram da Seara, se apresentavam em bares e restaurantes de Carazinho.
Um político popular, mas não populista
Colunista de O Correspondente, a jornalista Nadja Hartmann escreve sobre política há muitos anos e por várias vezes "analisou" a trajetória de Aylton Magalhães na política. "A morte do Aylton Magalhães encerra um ciclo de políticos de Carazinho com características em comum e que fizeram história, assim também como Bastico e Iron Albuquerque. Políticos que tinham o carisma e a sua proximidade com o povo como suas principais marcas. Eram populares sem serem populistas. Antes mesmo do fenômeno das redes sociais, conseguiam manter uma relação muito próxima com a população, com uma simplicidade natural e muita empatia", cita ela.
Para Nadja, o fato de ser comunicador facilitou a trajetória política de Magalhaes. "No caso de Aylton, ele ainda tinha a vantagem de ser um grande comunicador. Uma das cenas que testemunhei como jornalista e que nunca vou esquecer é dele em cima de uma camionete atravessando a cidade durante a campanha eleitoral. Ou seja, ele dispensou o carro de som para falar diretamente para as pessoas. Esse era o Aylton Magalhães, que se autointitulou o tocador de obras, mas que tenho certeza, será lembrado, por ter tocado o coração de muitas pessoas", finaliza.
Aylton Magalhães (Foto Divulgação)