GERAL

Profissionais expostos às baixas temperaturas criam alternativas para driblar frio e manter rotina de trabalho

Os coletores de lixo Lucas, Diego e Rodrigo, o motoboy João Matheus e o pintor Luís (Fotos Divulgação/Arquivos Pessoais)

 

Profissionais que ficam mais expostos às baixas temperaturas precisam criar alternativas para amenizar o frio e cumprir com as tarefas diárias. Motoboy, pintor e coletor de lixo estão entre os trabalhadores que precisam encarar o gelo em vários momentos do dia, alguns inclusive em horários em que os termômetros registram temperaturas próximas de zero, como no início das manhãs e a noite. 

 

Assim, para quem trabalha ao ar livre, o inverno não é apenas uma estação do ano, mas um desafio diário. Com a chegada oficial da estação no último domingo (21), quem trabalha exposto às condições climáticas enfrenta baixas temperaturas, geadas, chuva e umidade, o que exige adaptação e cuidados extras. 

 

Entre eles está o motoboy João Matheus Gonçalves Nunes, que atua na profissão há cinco anos. Ele lembra que os primeiros invernos foram marcados pela dificuldade de passar o dia inteiro sobre a motocicleta enfrentando o frio intenso.  "Meus primeiros invernos foram desafiadores porque eu nunca tinha enfretado frio intenso o dia todo em cima de uma moto e não estava preparado para as adversidades climáticas”, relata.

 

Para ele, além das baixas temperaturas, a chuva é um dos principais obstáculos. Segundo ele, a necessidade de reduzir a velocidade por questões de segurança acaba impactando a agilidade das entregas. Ele utiliza balaclava, luvas, protetores para as mãos na motocicleta, e capa de chuva, que também ajuda na proteção térmica.

 

O pintor Luís Adroaldo Pires, que acumula 35 anos de experiência, afirma que os primeiros invernos foram ainda mais rigorosos do que os atuais. “Quando comecei a trabalhar com pintura, o clima era bem mais gelado do que é hoje. Era muito mais frio e bastante complicado para trabalhar”, recorda.

 

Segundo ele, as baixas temperaturas afetam diretamente o andamento das obras. A secagem de tintas, massas corridas e materiais de acabamento se torna mais lenta, especialmente em dias de muita umidade. “A temperatura cai bastante e a tinta não seca. As massas de acabamento também demoram muito mais para secar, o que prejudica bastante o andamento do trabalho”, explica.

 

Ao longo da carreira, Pires vivenciou situações curiosas provocadas pelo clima. Em uma delas, a umidade era tão intensa que a tinta aplicada chegou a escorrer pelas paredes após o almoço da equipe. 

 

Desafios na coleta de lixo

Os desafios do inverno também fazem parte da rotina dos coletores de lixo, outra categoria profissional que atua exposta ao clima. Com cerca de oito meses na profissão, Lucas Dutra conta que as geadas foram uma das primeiras dificuldades encontradas. “Os dedos ficam endurecidos por causa da umidade que pega nas luvas. Demora horas até a temperatura subir e o corpo aquecer”, relata. 

 

Para amenizar as baixas temperaturas, ele procura sair de casa bem agasalhado e evitar se molhar durante o trabalho. Lucas destaca ainda que gripes e resfriados são frequentes entre os trabalhadores da área devido à  exposição constante ao sereno e ao frio das primeiras horas da manhã. 

 

Coletor há 15 anos, Diego Mulinario também lembra dos primeiros invernos na profissão como períodos difíceis. “Foram sofridos. O frio nas mãos, o corpo molhado e as gripes são maiores dificuldades”, afirma. 

 

Segundo ele, uma das formas de amenizar o frio é aumentar o ritmo de trabalho para aquecer o corpo. No entanto, em dias de chuva, a situação se torna ainda mais complicada. “Se chove com frio, a roupa não seca e aí fica mais difícil mesmo”, observa.

 

Rodrigo Azevedo trabalha na coleta de lixo há apenas um ano. Conta que aprendeu a lidar com as condições climáticas observando os colegas mais experientes. “Meu primeiro inverno foi complicado, mas fui me adaptando com as dicas dos colegas mais antigos e com a prática do dia a dia”, relata.

 

Entre as maiores dificuldades apontadas por ele estão o frio intenso nas mãos e os riscos da atividade. Azevedo explica que cortes provocados por vidros descartados incorretamente acabam sendo ainda mais dolorosos quando as mãos estão geladas. 

 

Para se proteger, ele aposta em roupas reforçadas, capaz de chuva e no aumento do ritmo de trabalho para manter o corpo aquecido. Mesmo assim, reconhece que o frio e a chuva afetam o desempenho da equipe.

 

Apesar das dificuldades enfrentadas por quem trabalha ao ar livre, todos os profissionais entrevistados concordam em um ponto: a adaptação é essencial. Seja através do uso de roupas adequadas, equipamentos de proteção ou mudanças na rotina, enfrentar o inverno faz parte do trabalho. Enquanto a maioria das pessoas busca abrigo nos dias mais frios, esses trabalhadores seguem garantindo serviços essenciais para a população, enfrentando diariamente as baixas temperaturas em nome da profissão.

Data: 24/06/2026 - 10:50

Fonte: Iana Moura

COMPARTILHE