GERAL
Notas musicais da esperança: paciente dá exemplo de otimismo tocando cavaquinho durante recuperação no HCC
Foto Divulgação
Em meio aos sons característicos de um hospital, como o movimento das equipes, os equipamentos de monitoramento e os passos apressados pelos corredores, uma melodia diferente chamou a atenção de pacientes, familiares e profissionais do Hospital de Clínicas de Carazinho (HCC) nos últimos dias.
As notas suaves de um cavaquinho ecoaram pelos ambientes da instituição, levando leveza, emoção e esperança para quem as ouvia. O responsável por esse momento especial é Valdir Dias da Silva, de 85 anos, músico há mais de quatro décadas e integrante do Grupo Musical Cesta Básica, de Carazinho.
Valdir enfrentou dias delicados durante uma internação. Diagnosticado com um quadro grave de pneumonia, também apresentou insuficiência cardíaca, precisando permanecer na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) entre os dias 2 e 6 de junho. Foram momentos de preocupação para familiares e para a equipe médica que acompanhou sua evolução. Mas mesmo diante das dificuldades, a música permaneceu ao seu lado.
Companheiro inseparável de uma vida inteira dedicada aos acordes e às canções, o cavaquinho voltou a ganhar espaço assim que a recuperação permitiu. Mesmo no leito, Valdir dedilhava um autêntico samba raiz, transformando o ambiente hospitalar em um cenário de acolhimento e sensibilidade. “Esse instrumento sempre foi meu companheiro”, conta o músico, com o brilho nos olhos de quem encontra na arte uma fonte inesgotável de força. E os planos seguem vivos: seu objetivo é estar recuperado para participar de um evento musical ainda no mês de julho.
Para o filho, Marcus Vinicius Machado da Silva, a recuperação do pai também é resultado do cuidado recebido durante a internação. “Foi impecável do início ao fim. Sempre muito cuidadosos, todos os profissionais. Muita humanização. Notava-se que as pessoas estavam entregando o que melhor poderiam para o momento. Não mediam esforços. Isso era notável em todos os leitos, com todos os profissionais”, destacou emocionado.
Para a filha, Valéska Walber, a música sempre fez parte da vida da família. “Meu pai sempre foi músico. Aprendeu a tocar sozinho e as cordas sempre fizeram parte da vida dele, seja no violão, cavaquinho ou banjo. Estar com seu instrumento no hospital fez toda a diferença: foi uma forma de lembrar quem ele é, de tocar, de se reconectar e de encontrar forças para deixar o leito da UTI e estar pronto para voltar para casa. Estamos encantados com a humanidade dos funcionários do HCC e com todo o carinho que recebemos durante os dias em que estivemos no hospital. Os profissionais, muito mais do que prestar atendimento, ofereciam carinho, atenção e demonstravam genuína preocupação com o que o paciente e a família estavam sentindo. Um carinho especial para a doutora Roselei, pela dedicação, profissionalismo e assertividade no tratamento”, destacou.
A cardiologista Dra. Roselei Graebin, médica que acompanha Valdir, explica que a presença da música durante a recuperação vai muito além de um momento agradável. “O uso de instrumentos musicais na recuperação de pacientes vai muito além do entretenimento. É uma ferramenta terapêutica ativa comprovada. A prática acelera a reabilitação, estimula a coordenação motora, reduz a percepção de dor e diminui drasticamente a ansiedade em ambientes hospitalares”, ressalta.
A história de Valdir é uma demonstração de que a recuperação acontece não apenas através dos medicamentos e procedimentos médicos, mas também por meio daquilo que alimenta a alma. Em cada acorde do cavaquinho, há memórias, sonhos e a vontade de seguir em frente.
No HCC, as notas de um simples cavaquinho lembraram a todos que, mesmo dentro de um hospital, a vida continua encontrando maneiras de celebrar sua própria melodia.
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