SAÚDE

Conselho Municipal de Saúde de Carazinho emite nota pública em apoio à UPA 24h e aos profissionais de saúde

Foto Arquivo/O Correspondente

 

O Conselho Municipal de Saúde de Carazinho emitiu na manhã de hoje (21) uma nota pública em que apoia a UPA 24h e os profissionais de saúde que atuam na unidade. O documento foi elaborado depois que a instituição ouviu profissionais daquela gestão sobre os atendimentos, em virtude das reclamações de parte da comunidade, especialmente em redes sociais. 

 

Na reunião realizada ontem (20), o conselho recebeu Mariana Tofani, gestora da UPA, Ivone Stürmer, responsável técnica da enfermagem da unidade, e Dr. Luiz Gustavo Espanhol, diretor clínico. Eles esclareceram acerca do atendimento na unidade, ocasião em que apresentaram dados e respostas técnicas às reclamações. Assim, CMS elaborou a nota para pode ser conferida, na íntegra, abaixo. 

 

No documento, o conselho destaca que tem acompanhando as manifestações e narrativas dos últimos meses que "têm contribuído para a desinformação e para a hostilização de profissionais da UPA, inclusive por meio de exposições públicas que acabam gerando insegurança no ambiente de trabalho e comprometendo a tranquilidade necessária para a prestação do cuidado em saúde".

 

Sobre os esclarecimentos prestados pela gestão da UPA, o conselho destaca que "a classificação de risco não segue a ordem de chegada, mas sim a gravidade clínica de cada paciente, conforme protocolos técnicos adotados em todo o País", e que "a UPA é um serviço destinado ao atendimento de urgências e emergências. Entretanto, grande parte da demanda atualmente recebida pela unidade refere-se a situações que poderiam ser manejadas nas Unidades Básicas de Saúde, o que contribui significativamente para a sobrecarga do serviço".

 

Ainda segundo o conselho, "é imprescindível compreender que ambientes de pressão, ameaças e exposição pública podem comprometer a concentração técnica das equipes e representar risco indireto à segurança do paciente, princípio assegurado pela Portaria GM/MS nº 529/2013", e "que todo serviço público está sujeito a falhas pontuais e que eventuais situações de inadequação devem ser apuradas com responsabilidade pelos órgãos competentes e pela própria gestão. Mas o manejo dessas situações pontuais deve ser feito nas esferas competentes e não no local de atendimento onde se lida diretamente com vidas".

 

 

"NOTA PÚBLICA DO CONSELHO MUNICIPAL DE SAÚDE DE CARAZINHO EM APOIO À UPA 24H E AOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE

O Conselho Municipal de Saúde de Carazinho, no exercício de suas atribuições legais previstas na Lei Federal nº 8.142/1990, vem a público manifestar apoio institucional à Unidade de Pronto Atendimento (UPA 24h) e aos profissionais que atuam diariamente na assistência à população carazinhense.

 

Nos últimos meses, o Conselho Municipal de Saúde acompanhou o aumento de manifestações e narrativas que têm contribuído para a desinformação e para a hostilização de profissionais da UPA, inclusive por meio de exposições públicas que acabam gerando insegurança no ambiente de trabalho e comprometendo a tranquilidade necessária para a prestação do cuidado em saúde.

 

Diante disso, o Conselho realizou reunião com a gestão da UPA, oportunidade em que foram apresentados esclarecimentos técnicos acerca do funcionamento da unidade, dos fluxos assistenciais e dos protocolos adotados.

 

Foi esclarecido que a UPA utiliza sistema de prontuário eletrônico informatizado, integrado ao mesmo sistema utilizado nas Unidades Básicas de Saúde do município. Dessa forma, os registros de horário de chegada do paciente, classificação de risco, tempo de espera e atendimento médico ficam devidamente documentados e auditáveis.

 

Também foi reiterado que a UPA segue rigorosamente os protocolos de Classificação de Risco estabelecidos pelo Ministério da Saúde, especialmente aqueles previstos na Política Nacional de Atenção às Urgências, instituída pela Portaria GM/MS nº 1.600/2011, bem como nas diretrizes da Rede de Atenção às Urgências e Emergências (RUE).

 

A classificação de risco não segue a ordem de chegada, mas sim a gravidade clínica de cada paciente, conforme protocolos técnicos adotados em todo o País. Isso significa que pacientes com risco iminente de agravamento, sofrimento intenso ou ameaça à vida recebem atendimento prioritário, independentemente do horário em que chegaram à unidade.

 

Nesse modelo assistencial, pacientes classificados como vermelho e amarelo possuem prioridade absoluta de atendimento, enquanto pacientes classificados como verde e azul podem aguardar por mais tempo com segurança clínica. É importante esclarecer que a percepção individual de gravidade nem sempre corresponde ao risco clínico efetivamente identificado pela equipe de saúde.

 

É fundamental destacar também que a UPA é um serviço destinado ao atendimento de urgências e emergências. Entretanto, grande parte da demanda atualmente recebida pela unidade refere-se a situações que poderiam ser manejadas nas Unidades Básicas de Saúde, o que contribui significativamente para a sobrecarga do serviço.

 

Conforme informações apresentadas pela gestão, a UPA de Carazinho foi estruturada para uma média aproximada de 187 atendimentos diários, mas atualmente realiza cerca de 300 consultas por dia, operando de forma contínua acima de sua capacidade originalmente projetada. Ainda assim, a unidade consegue manter o funcionamento do serviço e garantir assistência à população, graças ao esforço das equipes e à organização dos fluxos de atendimento.

 

O Conselho Municipal de Saúde manifesta preocupação com episódios de hostilidade e intimidação direcionados aos profissionais da saúde durante o exercício de suas funções. É imprescindível compreender que ambientes de pressão, ameaças e exposição pública podem comprometer a concentração técnica das equipes e representar risco indireto à segurança do paciente, princípio assegurado pela Portaria GM/MS nº 529/2013.

 

O Conselho Municipal de Saúde reconhece que todo serviço público está sujeito a falhas pontuais e que eventuais situações de inadequação devem ser apuradas com responsabilidade pelos órgãos competentes e pela própria gestão. Mas o manejo dessas situações pontuais deve ser feito nas esferas competentes e não no local de atendimento onde se lida diretamente com vidas.

 

Por fim, o Conselho Municipal de Saúde reafirma que a construção de uma saúde pública mais resolutiva exige união de esforços entre gestão, trabalhadores, usuários, controle social e comunidade. Esse é o único caminho possível.

 

Conselho Municipal de Saúde de Carazinho"

Data: 21/05/2026 - 10:10

Fonte: Mara Steffens

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