ECONOMIA
Sindicar debate piso mínimo de frete e impactos da Guerra do Irã nos combustíveis
Foto Mara Steffens/O Correspondente
No fim da tarde de terça-feira (24) o Sindicar proporcionou aos associados mais uma oportunidade de debate a cerca do piso mínimo de frente e das sanções que podem ser aplicadas pela ANTT em caso de descumprimento das determinações. Na sede da entidade em Carazinho, eles se reuniram para acompanhar as explicações do advogado Ariel Vanquisher, mestre em Direito e especialista em Transporte, que representa a Federação das Empresas de Transporte de Santa Catarina. O tema ainda gera dúvidas e existe expectativa de como as regras devem funcionar na prática.
O presidente do Sindicar, Moisés Santos, salientou que a entidade é contra a tabela de frete mínimo. "Porque foi uma ideia lançada em 2018 para encerrar a greve dos caminhoneiros autônomos, no entanto, existe uma lei federal que fala de livre mercado. Então somos a favor do livre mercado. E esta tabela ainda vai subir em torno de 30%. O Governo esqueceu que forçando as empresas praticando esta tabela, o consumidor irá pagar, pois será repassado este custo", disse.
Embora seja contra, a orientação do Sindicar é respeitar a determinação, para evitar sanções. "Tem multas que podem chegar a R$ 10 milhões. Isso inviabiliza a empresa, sem falar na possibilidade de cassação o RNTRC, que é o registro do setor de transportes. Acho que precisamos respeitar, mas precisamos debater isso. Se chegar na ponta, no consumidor, o Governo terá de explicar, e não jogar a responsabilidade para as empresas". pontuou.
Para Alexandre Schmitz, diretor do Sindicar, os empresários ainda procuram entender como as medidas devem refletir no mercado, que é bastante complexo. "Tem bastante peculiaridades nas relações entre transportadores, autônomos, embarcadores. O decreto devem trazer alguns esclarecimentos como por exemplo, em relação a frota própria da indústria. O que temos orientado é que as empresas cumpram o piso para não correr o risco de sofrer as sanções. Seria muito ruim. Inclusive existem itens neste decreto que são inconstitucionais. São pontos que ainda discutimos e levaremos ao Ministério dos Transportes para que se esclareça", opinou.
O empresário Marlon Gomes também compartilha sua experiência. A empresa que ele representa mantém caminhões agregados em uma grande empresa da região, realizando viagens longas, para fora do Estado. Um dos problemas enfrentados é encontrar carga para o retorno, para não retornar vazio. "Muitas empresas não estão conseguindo nos dar frete, dependendo do veículo que temos porque alguns não se adequam aos valores. Aí acaba ficando parado. É uma situação tensa até entendermos o que vai acontecer. Por isso este apoio do Sindicar, onde buscamos informações, é importante para tomarmos as melhores decisões", salientou.
Combustíveis
Outro tema que preocupa o segmento de transporte é a oferta de combustíveis, diante do conflito no Oriente Médio. Cidades maiores do Rio Grande do Sul já estão adotando medidas para garantir os serviços básicos. "Não temos garantia de que teremos combustíveis, mas de novo, o Governo, e falo dos passados também, poderia ter investido em refinarias. Estamos pagando para o outro lado do mundo, preços abusivos, e que o consumidor de novo, paga", comentou o presidente.
Sobre este tema, Alexandre Schmitz salientou que além da falta de diesel já percebido em algumas regiões, o consumo de álcool aumentou, por ser um insumo mais em conta. "Os transportadores não tem outro jeito a não ser repassar para fechar suas contas. A minha preocupação é que isso vai chegar nas gôndolas, se ainda não chegou em diversos produtos. Ainda não sentimos desabastecimento, mas esta oscilação é complexa para administrar. Quando se fala em petróleo, não se fala somente em combustíveis, mas em componentes plásticos, insumos para agricultura, energia. Todos estes fatores irão pressionais os custos de tudo com o que trabalhamos hoje em dia", sublinhou.
Também diretor do Sindicar, o empresário Everton Bernardi já tem pago mais pelo litro de diesel pela frota, em torno de R$ 8,00 contra R$ 5,70 antes da crise no Oriente Médio. A matriz da empresa fica em Chapecó, mas os caminhões da unidade de Carazinho são abastecidos no CD de Sarandi. "Se pensa em maneiras de economizar, mas temos a segurança de contrato com a distribuidora, que garante o abastecimento. Mas agenciadores que não possuem caminhões linhas foram orientados a abastecer a frota todos os dias para manter os níveis dos tanques de combustíveis", colocou.