POLÍTICA
Cesar Salles, Vinicius Kunrath e Everton Hunning não fazem mais parte da base do governo de Carazinho no Legislativo
Foto Mara Steffens/O Correspondente
A manhã de quarta-feira (26) foi de movimentação no segmento político em Carazinho. Três vereadores que até então faziam parte da base do governo municipal da Câmara não fazem mais parte do grupo que apoia João Pedro Albuquerque de Azevedo e Valéska Walber no Legislativo.
Por volta das 9h30min, a prefeira em exercício, Valéska Walber convocou a imprensa para um pronunciamento. Ao lado de vários secretários municipais, declarou que um dia após a divulgação da notícia do retorno das operações da Nestlé, fato positivo para Carazinho, ela faria um anúncio negativo. "Nos desligamos, pelo menos temporariamente, de três vereadores e seus cargos de confiança porque acreditamos em uma gestão compartilhada, que vem discutindo, dialogando e cosntruíndo soluções. Nosso governo é um governo propostivo. Sempre estivemos abertos ao diálogo, às sugestões, mas infelizmente não encontramos uma consonância em determinadas pessoas, que vem contra a gestão. Diante disso, entendemos que o grupo não pode se organizar desta forma. Por isso fazemos o desligamento dos cargos de confiança ligados a estas pessoas, por não estarem alinhados aos nossos valores, propósitos e princípios", disse ela.
Ainda segundo Valeska, os vereadores seriam Everton Hunning (Progressistas), Cesar Salles e Vinícius Kunrath (PSB) e que os servidores comissionados ligados a eles seriam em torno de dez. No entanto, a saída deles não interferirá no andamento dos trabalhos nos setores onde eles estavam alocadaos.
Meia hora mais tarde, os vereadores se pronunciaram no plenário da Câmara. Hunning, Salles e Kunrath estavam acompanhados dos demais vereadores que já formam a bancada de oposição no Legislativo: os emedebistas Tenente Costa e Márcio Hoppen e os progressistas Erlei Vieira e Cleomar Silva. O presidente do PSB, Antônio Azir Salles, também estava presente. Vale lembrar, que nas eleições de 2024, o PSB apoiou a chapa que concorreu à majoritária formada por PP e MDB e depois do pleito formou aliança com a chapa vencedora, composta por PSDB e Republicanos.
O primeiro a falar foi Everton Hunning. "Como todos sabem, quando começamos o mandato, participamos da chapa que perdeu a eleição. Passado o tempo, foi feito um convite para estarmos nos alinhando com as ideias do Governo. Foi aceito, trabalhamos para que as coisas dessem certo. Honramos nosso papel, porém, quando a caminhada vai se estreitando e fazemos análise, vê que as ideias não estão comungando para atingirmos o objetivo, a comunidade carazinhense, o benefício do povo. Anunciamos hoje que não temos mais qualquer alinhamento, vínculo, cargo com a atual administração. O que nos resta é desejar sorte para a administração porque no âmbito do desenvolver político não conseguimos ter esta convicção", colocou.
Ainda de acordo o vereador do PP, o fato que teria sido determinante para a tomada de decisão, foi o encaminhamento de um Projeto de Lei que solicita autorização para contratação de financiamento de mais de R$ 20 milhões para serem alocados na secretaria da Saúde. A proposta prevê a construção de uma unidade básica de saúde. Hunning entende que a o projeto é temeroso e pode colocar em risco as finanças do município. "Nossa postura foi confrontar isso e quando confrontamos não foi aceito pela administração, mostrando falta de diálogo", colocou, acrescentando que tem percebido o sentimento da comunidade em relação à viagem do prefeito à China.
PSB
Cesar Salles também citou o projeto de financiamento como um dos motivos para a decisão.Também citou a insatisfação da comunidade com a prestação de serviços da Corsan/Aegea no abastecimento de água e no saneamento na cidade e que o Município não estaria se posicionado com rigor a respeito, cobrando a empresae aplicando multas. "No dia que não fomos mais ouvidos, tomamos esta decisão. Não é uma questão de situação X oposição. Vocês continuarão nos encontramos pelas ruas, nossas famílias estão aqui, diferente de outras pessoas que não tem compromisso com essa cidade, não tem raízes aqui. A gene colocou nosso nome a disposição", pontuou.
Vinícius Kunrath falou em contratos temerários que podem ser firmados, especialmente na questão do lixo. "A gente viu nas ultimas que a coisa degringolou e nos fez recalcular a rota. Há uns meses atras analisamos aqui um financiamento de R$ 20 milhões que ainda não foi aplicado e agora, para nossa surpresa, veio o projeto de R$ 23 milhões para finaciamento. Se tratando de gestão pública, de compromisso com quem nos elegeu jamais podemos pensar somente no prefeito", citou.
O presidente do partido, Antônio Azir, disse que "o que está errado não se pode apoiar". "Os vereadores não vinham mais afinados com a ideia de governo e com o que o Executivo vinha fazendo com nossa comunidade. Hoje estão aqui os três descontentes e saindo da base aliada, mas todos os vereadores nos comentam no particular sua insatisfação", opinou. O advogado acusou o Executivo de cometer "estelionato eleitoral", ao "prometer tudo e não entregar nada". Criticou a viagem do prefeito à China, os shows realizados recentemente, o abandono do Ginásio da Fundescar e a decisão de declinar da construção do prédio próprio da prefeitura.
As manifestações estão disponíveis em vídeo nas redes sociais do Correspondente.
Vereadores também convocado coletiva de imprensa